Viagem para serras

Quem sobe a serra costuma ligar mais para confortos de interior, como lençóis de algodão egípcio, lareiras, ofurôs e esses aconchegos. Mas que tal considerar um prazer contemplativo? Do lado de fora, algumas hospedagens são tão surpreendentes quanto por dentro. É o caso da Pousada da Alcobaça. Ao redor do casarão de 1914 em estilo normando, dezenas de espécies de flor e planta de várias partes do mundo emolduram um gramado impecável. A Jardins do Passaredo, como o nome sugere, tem um paisagismo que vale a viagem. Espelhos-d’água e fontes espalhados por bosques de pinheiros e canteiros coloridos criam uma atmosfera de conto de fadas. Na Fazenda Vila Rica, jardins italianos reúnem fontes de mármore de carrara, esculturas e um gazebo.
Na serra dos casais, qualquer queda de temperatura serve de pretexto para acender um foguinho. Por isso, a lareira nas montanhas é tão desejada quanto ar-condicionado no litoral. Nas pousadas mais equipadas, tornam-se o centro das atenções. É só abrir um vinho e deixar o calorzinho rolar.
Antes de mais nada, é preciso separar serviço de mordomia. O primeiro tem custo. O segundo é gratuito. Café-da-ma-nhã servido no quarto, por exemplo. Se tiver taxa é serviço. Caso contrário é mordomia. Todo mundo espera ganhar um cafezinho, mas champanhe na entrada, cestos de flores no quarto e chocolates belgas sobre a cama encantam. Na arte do bem servir, algumas pousadas se superam.
O casal chega na pousada e encontra um chalé com TV nova, DVD, aquecedor e uma cama-boxe legalzinha. Sem dúvida, um quarto bem aparelhado. Mas daí o serviço revela-se burocrático, a decoração insípida e as mordomias anoré-xicas. A boa primeira impressão, de repente, começa a definhar e é substituída por uma sensação de monotonia. E, tempos mais tarde, os dois nem se lembram direito da viagem. A síndrome de “o que fizemos mesmo naquele fim de semana?” ocorre porque o lugar não tem aquilo. É isso: aquilo. Chame de alma, charme ou do que quiser. E aquilo que aconchega e encanta. Está lá nos objetos garimpados em antiquários, no visual rústico de materiais de demolição, nos mi-mos inesperados, como pantufas, e no sorriso dos funcionários sempre prontos a atender qualquer solicitação. Momentos inesquecíveis se dão por inúmeros motivos. Mas os mais agradáveis vão ser vividos nas pousadas com esse aquilo a mais.
A banheira japonesa semelhante a uma tina de madeira ou de acrílico tornou-se a bossa do novo charme. Se você ainda não experimentou, eis um bom motivo para cair na estrada no próximo fim de semana. Imagine-se imerso até o pescoço em águas de 33°C a 40°C, e aro-matizadas por sais perfumados. Mas, espere aí, qual a diferença para as hidros tradicionais? A principal é a estrutura. No ofurô as cubas têm bordas altas, de 70 centímetros a 1 metro. O relaxamento é feito sentado e os modelos maiores têm bancos internos. Existem alguns ofurôs com jatos de hidromassagem, mas os tradicionais são apenas para imersão.
Alguns dos visuais mais impactantes da natureza ficam no topo das montanhas. Os campos de altitude e a Mata Atlântica descortinam-se em plenitude des-concertante. E o melhor, você pode apreciar tudo em meio a um relax na hidro, na rede da varanda ou num passeio pelo jardim.

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