Ó monstro do Rio Araguari

Ó monstro do Rio Araguari.
Nosso repórter foi ao Amapá conhecer a pororoca mais violenta da Amazônia – e voltou maravilhado por sua imponência.
O telefone tocou numa terça-feira sem ambição.
“Cara, você quer ver a pororoca do Amapá?” Pedi alguns segundos para pensar. Não sou do tempo do programa
Amaral Netto, O Repórter, mas conheço suficientemente descrições como “a brutalidade das águas” e “o rio em fúria” para saber que repórter nenhum sai vivo de lá.
O Amaral, por exemplo, alguém tem notícias dele? “Nem morto”, disse, finalmente.
Dias depois ainda persistiam em minha cabeça as imagens da onda (entra Ray ConifT assassinando a Aquarela Brasileira, tema musical de O Repórter) e a maravilha que seria a tal viagem. “O monstro das mil faces”. Era assim que Amaral Netto se referia à pororoca. Que tipo de covarde era eu? Mudei de idéia. Com a coragem da água barrenta que se joga no mar, confirmei a viagem.
Para minha alegria, a viagem de mil horas ao Amapá foi deliciosa desde o princípio. Quando o avião decolou do solo brasiliense, o nariz apontado para Belém, o grande e vetusto Brasil natural deu-me tapinhas nos ombros e comentou: “Calma, Marcelo, jovem impaciente. Sou eu: seu pai e sua mãe; seu chão e seu céu. Olhe para mim, porque vou guiá-lo até meu coração.” Estiquei o pescoço e vi a Floresta Amazônica sob nuvens inacreditáveis. Algumas pareciam-me pororocas do ar, a espuma clara lambendo o casco do avião. De Tocantins em diante, tudo era pororoca, mesmo a milhares de pés de altitude.
A pororoca – que em tupi significa “grande estrondo” – é o fenômeno natural em que as ondas oceânicas invadem com força o estuário dos rios durante a maré cheia. As forças gravitacio-nais do Sol e da Lua agem sobre o mar, que sobe de nível até 7 metros. Essa massa de água salgada excedente invade a foz do rio e inverte sua corrente,, gerando a tal onda, que pode chegar a 4 metros de altura e durar mais de uma hora. Na França, a pororoca do Sena é conhecida por mascaret. No Ganges, o rio sagrado da índia, seu nome é bore. Na China, no Rio Qiantang, registrou-se a mais violenta invasão do mar num rio. É a Black Dragon, admirada e temida pelo povo chinês. Estima-se que as pororocas aconteçam em 100 rios. As mais pontentes são as que ocorrem onde a foz do rio é estreita e rasa. A do Araguari, no Amapá, é uma das mais violentas do mundo.

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One Response
  1. Anderson Pessoa says:

    Visitem à comunidade “Macapá – Brasil”.

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