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Roteiro Amazônia no Meio do Mundo

O Estado do Amapá estará comercializando na Abav este roteiro, que mostra a força da natureza em primeiro lugar. Assim é a rota Amazônia no Meio do Mundo, que contempla as cidades de Macapá, Santana, Porto Grande, Ferreira Gomes e Mazagâo, no Amapá, extremo Norte do Brasil. Um verdadeiro santuário do ecoturismo amazônico, que possui a singularidade estar entre os dois hemisférios, cortado pela linha imaginaria do Equador, permitindo que sua capital, Macapá esteja inusitadamcnle localizada no meio do mundo.
A todos estes ingredientes geográficos e também esotéricos, juntase o lendário e místico rio Amazonas, em frente à Macapá Outro ingrediente que acrescenta ainda mais interesse ao local é o equinócio, fenômeno natural que acontece nos meses de março e setembro, no Monumento Marco Zero do Equador, justamente no momento em que o sol incide seus raios exatamente sobre a linha, dividindo a terra em dois hemisférios, permitindo que noite e dia tenham a mesma duração. O folclore amapaense é outro ponto forte que atrai a atenção do turista e apresenta uma variedade de ritmos, sons, musicalidade, danças predominando as origens afro-descendentes.

Como chegar polinésia amazônica

COMO CHEGAR: TAM  e Gol  têm vôos diários para Macapá a capital do Amapá A TAM, desde RS 609,50, e a Gol, RS 569 (preços por trecho).
QUEM LEVA: A pororoca ocorre durante as luas cheia e nova, quando as marés são mais fortes. 0 fenômeno fica mais violento nos dias de equinócio (em março e setembro), mas é visto durante todo o ano. Se quiser conferir, saiba que o turismo no Amapá engatinha Duas agências levam à pororoca AGuaratur(g6/3222-i3io) tem três noites num hotel na foz do Rio Araguari, a cerca de 30 km do melhor lugar para a observação da pororoca Eles também oferecem barcos de apoio e alimentação. A viagem desde Macapá é dura São três horas de van e oito de barco. É caro: RS 2 000 por pessoa (para grupos de no mínimo cinco pessoas) Outra opção é a Lamazone , com pacote de quatro noites (a primeira em Cutias, após uma tarde conhecendo atrações de Macapá, como o Forte de São José, de 1782, e a culinária local). Na região da pororoca fica-se em pousada simples, perto da foz, e há possibilidade de passeios de búfalo, a cavalo e a pé, e também por trilhas na mata Desde RS 1500 (por pessoa).

Polinésia amazônica

POLINÉSIA AMAZÔNICA.
Surfistas e turistas ficam em palafitas perto da foz do rio.
SURFE NA LINHA DO EQUADOR.
Turista fazendo pose de surf ista (acima) e, no sentido horário, criança em seu habitai, o Rio Araguari, que fica quase na divisa dos dois hemisférios, e o bote sendo seguido pelo “monstro das mil faces”.
Depois da adrenalina, a volta pra casa. No longo caminho, fui convocado para uma reunião com “turismólogos” locais. Não abri a boca. Ainda estava em estado de graça pelo que havia visto. Fugir de uma onda a mil por hora. Uau. Aquela roda de homens de negócios lembrava-me dos fariseus decidindo o futuro de Jesus Cristo. Os homens de negócio olhavam-se nos olhos, dizendo palavras bem fundadas, perfeitas, sobre a pororoca. Não quis tomar parte daquilo.
reunião. Lembrei-me do que disseram: que faltou água em algum quarto; que os ovos mexidos estavam frios no café-da-manhã; que as toalhas de banho eram grosseiras. Aqueles homens eram profissionais. Eu, como não sou profissional de nada, a não ser de ver e contar histórias, calei. Em respeito à pororoca. Em respeito ao fenômeno natural mais bonito que já vi. Em respeito a cada arara, capivara e todas as aras que cruzaram o nosso caminho.
Eles se perguntavam se o que chamam no Amapá de Projeto Rota da Pororoca vai pegar. Por mim, vai pegar, sim. Se posso dar uma contribuição, que seja essa: façam bem seu trabalho, ensinem que os ovos mexidos devem estar quentes; que o turista merece ser mimado, em suma. O principal vocês já têm: o “monstro das mil faces”, que assusta e fascina no coração do Brasil.

Araguari fotos

A observação do fenômeno é feita das voa-deiras, as pequenas lanchas rápidas de alumínio ou fibra com um periclitante motor de pro-pulsão. A primeira coisa que o piloto fala é que, se o motor pifar, a onda engole. Ótimo. O negócio é pular fora, não rolar com a lancha. Pode-se, claro, escolher ficar na margem do rio, sobre o barranco. O risco é quase nulo.
Mas não fiquei no barranco. Para o bem da reportagem, tomei uma voadeira e fui caçar a onda perfeita.
A pororoca corre numa velocidade entre 30 e 50 km/h. Minha voadeira levava três homens que contavam mais de 300 quilos. O piloto disse que o motor, de apenas 25 hp, não daria conta. Pediu que um de nós trocasse de barco. Mas já não havia mais tempo. Ficamos os três agarrados àquela máxima que Amyr Klink cunhou em 1982, na ocasião de sua travessia do Atlântico a remo: “O melhor barco é aquele que vira fácil, porque é mais fácil desvirar depois”. Então, tá.
Antes de a onda chegar, o nível de água do rio abaixa, tal qual a imprensa descreveu o tsu-nami da Ásia. E os grilos de dentro da selva passam a praticar um jogo de irritar a gente. Não sei seja berravam tão escandalosamente antes, ou se o silêncio ajudou a ressaltar o barulho. Prefiro pensar que a natureza enlouquece com o que vai acontecer. Na curva do rio, uma pequena camada de branco espalhou-se sobre o preto das águas. Era a onda. “Poroc-poroc”, como batizaram os índios, imitando o barulho que ela faz. Já estava a caminho.
“É agora,” grita Alex, o fotógrafo.
Se eu dissesse que o motor de nossa lancha pegou logo de cara, estaria mentindo. Apesar da imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo colada na tampa da engenhoca, ela precisou de duas chicotadas no arranque antes de fazer o que deveria fazer por instinto: fugir da onda a mais de 50 km/h.
Sabe aquela cena do filme Parque dos Dinossauros, quando os três heróis estão num jipe, fugindo de um tiranossauro? É exatamente essa a sensação. A trilha das voadeiras parece que irrita a pororoca, levando ordem geométrica ao que é apenas caos natural. Essa imagem é muito forte. A onda louca penteada pela trilha dos motores. Um animal enlouquecido. O monstro do Amaral Netto. Nem 1 milhão de dardos tranqüilizantes em seu dorso fariam a menor diferença.
O sol fez sua parte. Naquele dia a pororoca veio “seca”, como dizem os nativos. Veio abençoada pelo sol das 9 da manhã, que criava reflexos inexplicáveis na água. Dentro da pequena lancha, pensando nos milhões de metros cúbicos de água agitando-se não muito ao longe, tive um pequeno e poderoso lampejo: a natureza é uma força incontrolável. Na hora, pensei em todas as ignorâncias cometidas pela humanidade em nome do progresso, ou seja lá qual nome se dê a isso. Lembrei de mim mesmo, quando menino, acordando uma manhã com o barulho da serra elétrica que derrubava minha árvore preferida.
A pororoca durou no máximo dez minutos. Quem estava no barranco deve ter-se arrependido amargamente, porque viu apenas uma onda distante e alguns pontinhos – nossas voadeiras – batendo em retirada. A prova de que o tempo é relativo: foram dez minutos para quem estava no barranco. Para nós, algumas boas horas de adrenalina. O que me leva a pensar: a pororoca é turismo de aventura ou turismo “normal”? Digo que os dois. Uma paca pastando no pôr-do-sol do Amapá é algo que qualquer ser humano acha a coisa mais linda. O grito embolado de uma arara cruzando o rio também. O que está em volta da onda – no percurso que qualquer turista, aventureiro ou não, deve percorrer – é uma delícia. A fauna onipresente, a flora que é moldura de absoluto bom gosto, a cozinha local. O alvoroço que causa uma das pimentas locais já é uma pororoca dentro da outra.
Antes do encontro marcado com a onda, conversei longamente com os pilotos das lanchas que levam turistas à pororoca. O barulho do gerador de energia da pousada onde estávamos nem incomodava mais. A cerveja era gelada, o peixe frito era bom e eu entrevia o rosto confiável de Fátima Bernardes apresentando o Jornal Nacional a uma platéia atenta; enfim: a coisa ia de bem a melhor. Começaram a aparecer histórias. E mais histórias. A melhor é esta, que rabisquei eufórico em meu bloquinho. Lá vai: uma turista francesa veio testemunhar a pororoca. Na hora de ir embora, o motor de sua lancha pifou. Ela e o piloto ficaram à deriva por quatro horas. Sim, claro: a pororoca acontece de 12 em 12 horas. Se ocorreu às 8 da manhã, a próxima vem na outra maré alta, pela hora da novela das 8. Como estavam ali havia quatro horas, em mais oito os náufragos seriam arrastados pela corrente furiosa. Pânico. Finalmente, a francesa lembrou-se de seu celular na bolsa. Ligou para seus compatriotas e fez um pedido desesperado de ajuda. Os franceses ligaram para a embaixada brasileira em Paris. O Itamaraty e depois o governo do Amapá foram conectados. Um santo homem, cujo nome se perdeu, discou para um amigo que possuía um avião e que morava na região onde a francesa estava. O homem do avião descobriu que os bombeiros faziam uma manobra não muito longe dali. Depois de tantas chamadas internacionais e interurbanos, a pororoca já estava perto demais. Havia pouco tempo. O aviador escreveu uma mensagem para os bombeiros, explicando a emergência, e a colocou dentro de um garrafão de 20 litros de água mineral. Vazio, claro. Voou baixo e arremessou o recipiente sobre os salva-vidas. Os bombeiros pegaram o garrafão, leram a mensagem e partiram. Salvaram a francesa e o piloto a apenas algumas horas da onda que poderia ter levado a vida deles. Que história, não?

Ó monstro do Rio Araguari

Ó monstro do Rio Araguari.
Nosso repórter foi ao Amapá conhecer a pororoca mais violenta da Amazônia – e voltou maravilhado por sua imponência.
O telefone tocou numa terça-feira sem ambição.
“Cara, você quer ver a pororoca do Amapá?” Pedi alguns segundos para pensar. Não sou do tempo do programa
Amaral Netto, O Repórter, mas conheço suficientemente descrições como “a brutalidade das águas” e “o rio em fúria” para saber que repórter nenhum sai vivo de lá.
O Amaral, por exemplo, alguém tem notícias dele? “Nem morto”, disse, finalmente.
Dias depois ainda persistiam em minha cabeça as imagens da onda (entra Ray ConifT assassinando a Aquarela Brasileira, tema musical de O Repórter) e a maravilha que seria a tal viagem. “O monstro das mil faces”. Era assim que Amaral Netto se referia à pororoca. Que tipo de covarde era eu? Mudei de idéia. Com a coragem da água barrenta que se joga no mar, confirmei a viagem.
Para minha alegria, a viagem de mil horas ao Amapá foi deliciosa desde o princípio. Quando o avião decolou do solo brasiliense, o nariz apontado para Belém, o grande e vetusto Brasil natural deu-me tapinhas nos ombros e comentou: “Calma, Marcelo, jovem impaciente. Sou eu: seu pai e sua mãe; seu chão e seu céu. Olhe para mim, porque vou guiá-lo até meu coração.” Estiquei o pescoço e vi a Floresta Amazônica sob nuvens inacreditáveis. Algumas pareciam-me pororocas do ar, a espuma clara lambendo o casco do avião. De Tocantins em diante, tudo era pororoca, mesmo a milhares de pés de altitude.
A pororoca – que em tupi significa “grande estrondo” – é o fenômeno natural em que as ondas oceânicas invadem com força o estuário dos rios durante a maré cheia. As forças gravitacio-nais do Sol e da Lua agem sobre o mar, que sobe de nível até 7 metros. Essa massa de água salgada excedente invade a foz do rio e inverte sua corrente,, gerando a tal onda, que pode chegar a 4 metros de altura e durar mais de uma hora. Na França, a pororoca do Sena é conhecida por mascaret. No Ganges, o rio sagrado da índia, seu nome é bore. Na China, no Rio Qiantang, registrou-se a mais violenta invasão do mar num rio. É a Black Dragon, admirada e temida pelo povo chinês. Estima-se que as pororocas aconteçam em 100 rios. As mais pontentes são as que ocorrem onde a foz do rio é estreita e rasa. A do Araguari, no Amapá, é uma das mais violentas do mundo.