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Passeios às praias de Paraty

AMYRJANAO TEM A PAZ QUE TINHA ANJES DA FAMA. ALIAS, NEM ELE NEM SUA CIDADE.
As embarcações coloridas no cais da vila oferecem passeios às praias e ilhas da baia. É bom, sempre, negociar o preço.
Mauro Gavião cuida do Ateliê da Terra, onde pinta e dá acabamento a milhares de barcos de todos os tipos produzidos por 40 famílias que vivem no Saco de Mamanguá. O trabalho é lindo e ajuda a comunidade.

Fotos da Principado de Paraty

A declaração da independência do Principado de Paraty foi apenas um dos episódios regados a álcool dessa comunidade hippie têmpora. Durou, segundo diz-se, longos quatros dias, com a adesão de todas as poucas autoridades locais e só não foi adiante porque a Capitania dos Portos da vizinha Angra dos Reis, estranhando o silêncio nas comunicações radiofônicas, enviou uma corveta para reintegrar o “principado” ao Brasil e mandou os “insurretos” para a cadeia por um par de dias.
O Valhacouto durou três anos. Nasceu em 1964 e terminou no dia 7 de setembro de 1967. Nessa patriótica data, a fanfarra de uma escola local passou logo cedo comemorando a Independência do Brasil bem em frente ao estabelecimento de Zé Kléber. Incomodado com o som que lhe agravava a ressaca, o poeta não teve dúvidas. Abriu as portas do bar, declarou boca-livre geral e, sorridente, viu estudantes e músicos liquidarem tudo o que havia no estoque.
Quando não havia mais nada para comer ou beber, Zé Kléber subiu no balcão e declarou definitivamente encerradas as atividades do Valhacouto.
Foi-se o bar, ficou a fama. No final dos anos 1960, diversas equipes de cinema despencaram na cidade para usá-la como cenário. Nem é preciso dizer

Informação turismo da paraty

Paraty, que chegou a ser o segundo maior porto do Brasil e a ter 150 alambiques, tornando-se sinônimo de cachaça, entrou no século 20 com esquálidos 600 habitantes.
“Ruía um sobrado por mês”, conta a historiadora Teresa Camargo Maia.
E foi assim, decrépita, que um século depois ela acolheu os exilados da revolução militar no valhacouto de um poeta sem limites. Conta Amyr – e coutam os demais que viveram aqueles anos —, que o bar de Zé Kléber era uma esbórnia sem limites. De drogas à orgias, tudo era permitido na vila sem lei, onde já estavam instalados Djanira, Paulo Autran, Maria Delia Costa e, claro, um curioso Amyr Klink entrando na puberdade.

Melhores pousadas em Paraty

MELHORES RESTAURANTES, POUSADAS MAIS CHARMOSAS. PARATY BUSCA A SOFISTICAÇÃO.
As ruas tranqüilas da cidade agitam-se com a chegada dos carrinhos de doce. A noite ferve no café Margarida ‘ e no Banana da Terra, onde a chefe Ana Bueno faz pratos saborosos e bonitos s. Paraty também tem várias cachacarias com produtos locais. Na Praia do Pontal, Amyr freqüenta o Quiosque da Lapinha.
Pippo, o siciliano Basilio Giuseppe Muscará, pilota o forno de seu Punto Di Vino.

A breve história de sao paulo paraty

A breve história desse estabelecimento, de propriedade do poeta paratiense Zé Kleber, merece ser brevemente relatada porque, de certa forma, marca o fim do que Paraty poderia ter sido e o início de tudo o que veio a ser. Antes do Valhacouto, de sua gloriosa indecência e de sua lisérgica utopia, a vila que nasceu em 1667, no final da trilha dos índios guaianás, viveu a imensa prosperidade de funcionar como o porto do ouro extraído das Minas Gerais. É do tempo em que barcas, sumacas e batelões do Rio de Janeiro aportavam na localidade para transportar a riqueza rumo a Portugal, que data a maior parte de seu casario. Que, hoje sabe-se, foi planejadamente erguido seguindo normas maçonicas, 33 quarteirões seguindo a escala mística 1:33:33 — o grau máximo da maçonaria.
Mais tarde, para evitar o ataque de corsários, a Corte mandou criar o Caminho Novo da Piedade, que fazia o ouro transitar diretamente para o Rio, sem passar pela vila, que sofreu sua primeira decadência. Não definitiva, porém, uma vez que o caminho voltou a ser utilizado no ciclo do café, até 1870, quando a criação da estrada de ferro Rio-São Paulo enterrou de vez a prosperidade de Paraty.
É nessa época que se iniciam os cem anos de solidão da Macondo fluminense. Quem sabe com o testamento de um certo padre Veludo, homem de posses, que deixou imóveis para sete filhos, todos eles produzidos – segundo o documento -, “em um momento de fragilidade humana”.

Fotos da ilha paraty

QUEM CHEGA DO MAR, PELA BAIA DE 65 ILHAS, ANCORA MO PASSADO.
PARATY E MESMO DE UM OUTRO TEMPO.
A igreja de santa Rita protege todos os navegantes que vão dar no cais da cidade. Até mesmo os que não têm fé.

Fotos da cidade de paraty

Pequenas canoas dessa procedência pendem, lambem, das portas de todos os luxuosos apartamentos do Hotel Santa Clara, outro eventual refúgio dos Klink a 10 quilômetros do centro da cidade. Explica-se: o Santa Clara é propriedade de Wilson Melo, ex-cunhado de Amyr e uma de suas referências na Paraty de hoje.
A casa de Wilson na vila, por sinal, é o porto seguro do navegador na cidade tombada pelo Patrimônio Histórico.
O lugar onde o homem corpulento, de feições estrangeiras como os viajantes que vagueiam encantados pelas ruas próximas senta-se, abandona a timidez e revive histórias que fazem de suas muitas palestras espetáculos hipnóticos.
Fica na Rua Samuel Costa, a mais movimentada (e de nome menos evocativo) entre as 12 ou 13 que compõem o Centro Histórico de Paraty. É, como se viu, uma casa particular, de interesse irrelevante, portanto, em uma reportagem para viajantes. Exceto por um detalhe: foi nesse mesmo edifício, hoje reformado, que funcionou o bar dissoluto onde um cavaleiro – ambos mencionados nas primeiras linhas dessa história — proclamou a fugaz existência do Principado Livre de Paraty.
Chamava-se Valhacouto.

Cidade de paraty centro Histórico

SUAS RUAS TRANQÜILAS ESCONDEM UM AGITO DE LUGAR COSMOPOLITA, QUE AMYR ESTRANHA.
O tráfego de veículos motorizados é proibido no centro Histórico, onde só circulam pedestres e bucólicas charretes.
O sergipano Aecio Sarti, que pinta figuras modiglianescas em encerados de caminhão, expõe seus trabalhos no mundo inteiro. É um dos expoentes das artes plásticas na cidade fluminense.

Turismo em paraty com suas ruas tranquilas

A notoriedade tomou-lhe, também, o insuperável prazer de ocupar a pequena casa de sua linda praia de Jurumirim, onde antes se hospedava sempre. “Quem mandou escrever livros…”, penitencia-se de um barco ao longe, observando a prainha de sua infância tomada por saveiros regurgitando turistas excitados com a perspectiva de veranear nas areias de Amyr Klink.
Atualmente, quando volta a Paraty, a família Klink pernoita no barco com que ele circunavegou a Antártica e, durante o dia, navega rumo a uma das 65 ilhas da baía em busca de privacidade. Com as crianças a bordo, faz-se necessário aportar para almoçar em alguns dos bares costeiros. Amyr gosta muito do de Dona Quita, na Baía do Engenho, “um dos poucos em cima do mar”. Outra de suas preferências é navegar nas águas tranqüilas do Saco de Mamanguá, o único fiorde brasileiro, onde moradores de comunidades isoladas produzem embarcações e remos em caixeta, uma espécie de madeira-balsa.
É de Marina, aliás, a admiração pelo trabalho que Mauro Gavião desenvolve com essa comunidade em seu Ateliê da Terra, na Rua da Lapa, no meio da vila. O artesão adquire toda a produção, trata de pintá-la, envernizá-la e vendê-la aos viajantes. Há milhares de barcos, de todos os tamanhos e modelos, espalhados pelas várias salas de seu ateliê.

Passeios por paraty

Um lamaçal familiar para Amyr, que, certa feita, em meio a intensa neblina, despencou uma Veraneio barranco abaixo, tendo ficado pendurado lateralmente pela vegetação, na companhia de uma porca que urrava e corria sobre os vidros do veículo.
O trecho de serra, aliás, continua tão pouco transitável como sempre foi. A solidão da vila, entretanto, terminou com o advento da Rodovia Rio-Santos, acontecimento tão temido nos anos 1970 que, lembra-se Amyr às gargalhadas, levou as fiéis senhoras católicas de Paraty à decisão de fundar o primeiro prostíbulo local, de modo a proteger as moçoilas nativas do apetite sexual de 1.200 operários abeirados para a construção da estrada. O estabelecimento ganhou o sugestivo nome de Sétimo Céu.
Vê-se, já, que é repleto de reminiscèncias esse tour guiado pelo homem que invernou na Antártica, há mais passado que presente nessa relação apaixonada, as coisas mudaram, como mudam sempre, ficou mais difícil, é evidente, ser Amyr em Paraty.
No comércio mais recente, que ele observa com estranheza, há pratos e sanduíches com o nome do navegador. Ainda que na companhia da família -a mulher, Marina, as gêmeas Laura e Tamara, a caçula Nina —, Amyr é reconhecido, abordado, fotografado e incomoda-se com o assédio. Já não pode, sequer, beber um trago em paz no velho bar Coupé, da Rua da Cadeia e ao Quiosque da Lapinha, na praia do Pontal, que usava freqüentar com amigos de outros tempos, só volta nos dias de pouco movimento.