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Uma parada estratégica em Congonhas do Campo

De Ouro Preto são cerca de 250 km até Tiradentes, ou 3 horas de carro, seguindo via Ouro Branco até o asfalto da BR-040. No meio do caminho faça uma parada estratégica em Congonhas do Campo, bem à margem da rodovia. A parada tem boa justificativa: visitar a Basílica do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, no topo do morro mais alto da cidade, que ganhou status de Patrimônio da Humanidade da Unesco em 1985. E ornamentada por um adro onde estão os famosos Doze Profetas, esculturas de pedra-sabão em tamanho naUiral, obra-prima de Aleijadinho. Elas foram esculpidas entre 1800 e 1805, finalizadas quando o artista tinha 60 anos, provavelmente muito debilitado pela han-seníase que consumiu dedos dos pés e mãos.

Trem para Mariana

Quase colada a Ouro Preto, Mariana não tem o mesmo brilho da vizinha, mas muito se orgulha de ser a primeira cidade de Minas. Foi lá, às margens do riacho que corre pelos vales, que o bandeirante paulista Fernão Dias Paes, pelos idos de 1690, teria encontrado ouro por acaso, ao mergulhar a gamela na água para matar a sede. A descoberta provocou uma incrível corrida pelo ouro naquela época do Brasil-colônia. “Berço de Minas Gerais” e “Primeira Capital de Minas” são dizeres nas placas de acesso a Mariana, primeiro povoado mineiro, elevado à categoria de vila em 1711 e sede do bispado anos mais tarde. Para ir até lá, o mais legal é tomar a velha mariá-fumaça, que apita e chacoalha nos 19 km do trajeto. O trem, restaurado há quatro anos, preserva os bancos de madeira e a velha locomotiva movida a carvão. Uma dica: vá no lado esquerdo ter uma melhor vista para a paisagem das montanhas.

Um passeio na Praça Tiradentes

De volta à Praça Tiradentes, siga na direção da Igreja do Carmo, especificamente para a casa anexa, onde fica o curioso Museu do Oratório. Lá está uma coleção de oratórios dos séculos 18 ao 20, de diversos tipos e tamanhos. Esses objetos eram usados no culto religioso doméstico, tão fundamental em qualquer casa mineira como a pia ou a cama. Ocupava lugar de destaque nos quartos – ou mesmo na sala. Na coleção, há peças valiosas, com esculturas e pedras preciosas, e outros pequenos e populares, usados em viagens. Almoçar no restaurante Casa do Ouvidor (Rua Conde de Bobadela, 42) é uma boa iniciativa antes de reservar a tarde para conhecer a Mina da Passagem, no caminho para Mariana.

É a mais bela e antiga mina da região. Funcionou até 1985, já com sistema de garimpo industrial, até que as perfurações atingiram um lençol freático que inundou boa parte das galerias. Você pode entrar na mina a bordo de carrinhos sobre trilhos, os mesmos usados pelos mineradores. O passeio dura cerca de 30 minutos e inclui uma caminhada por entre os túneis subterrâneos até a beira de um lago azul que existe lá dentro.

Rumo à Mina da Passagem

Mina da Passagem: comece por outra grande atração de Ouro Preto: a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, internamente toda decorada com ouro. Ê um deslumbre, fruto da extravagância e da riqueza que gozavam as irmandades cristãs dos tempos do garimpo. Segundo historiadores, a opulência das obras era sinônimo de status para cada ordem religiosa. Como os negros eram proibidos de freqüentar as igrejas dos brancos, construíam as próprias, caso da Igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, cujo grande diferencial é a forma curvilínea das paredes.

Internamente, não tem a riqueza das outras. O folclore local divulga que os negros juntaram recursos para erguer seus templos graças ao ouro que conseguiam esconder na boca ou nos cabelos. Saindo do Largo do Rosário, visite a Casa dos Contos, o antigo local de pesagem e fundição de ouro, hoje um museu. Nesse casarão, o ouro era transformado em barras e recebia o brasão da coroa portuguesa. As salas guardam as ferramentas que ajudavam no processo de fundição, além de utensílios usados para castigar escravos fu-jões, pois no local também havia uma prisão.

Igreja de São Francisco em Minas Gerais

Se o passeio abrir o apetite, aproveite a boa comida mineira preparada em fogão a lenha. Retorne em direção à Igreja de São Francisco e, bem ao lado dela, faça uma parada no restaurante Bené da Flauta (Rua São Francisco de Assis, 32). Note que no cardápio a carne de porco é a vedete do prato máximo da casa: o feijão-de- tropeiro, que leva bisteca, lingüiça, couve, arroz e dois ovos fritos. E a viagem histórica se transforma também em gastronômica. Tem gente que ganha uns quilinhos a mais, pois nada é light na tradicional cozinha mineira. Mas dá para queimar as calorias. Basta caminhar mais um pouco pelas ladeiras.

Ouro Preto turismo e Mina do Chico Rei

Ouro Preto turismo: bem próximo, descendo a rua um pouco mais, conheça a Mina do Chico Rei, a única mina de ouro aberta à visitação na cidade. Não passa de um túnel apertado e úmido, onde mal cabe uma pessoa de pé. Mas que transmite a idéia de como deveria ser a extração artesanal de ouro feita por escravos providos apenas de marreta e picareta. Nessa época, Ouro Preto era quase um queijo suíço: há duas mil bocas de minas ao redor da cidade, de onde saíram toneladas de ouro ao longo de cerca de 150 anos.

Largo de Coimbra

Comece o roteiro pela Praça Tiradentes, o marco zero da cidade, onde está o Museu da Inconfidência, que abriga móveis e peças sacras do século 18 — e até os túmulos dos inconfidentes. No centro da praça, observe o monumento em bronze e granito que serviu para expor a cabeça do alferes Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes. Desça a Rua Cláudio Manoel e entre na Igreja de São Francisco, a obra-prima da arquitetura barroca mineira. Admire a impressionante pintura do forro, feita por Manoel da Costa Athayde e a beleza dos entalhes em pedra-sabão da portada e do altar, esculpidos por Aleijadinho. Essa mesma pedra serve hoje como base para o artesanato local: panelas, pratos, caixas, imagens… Quase todos compram na feirinha que fica bem de frente à igreja, no Largo de Coimbra.

Nas ruas de Ouro Preto

Ouro Preto foi a maior e mais importante cidade do ciclo do ouro mineiro, uma espécie de metrópole do século 18 graças ao garimpo. É uma cidade para ser degustada, comida com os olhos. Presente e passado se misturam a todo momento num passeio por entre os casarões centenários. As montanhas da Serra de Itacolomi fazem a moldura natural da cidade e no alto de cada morro desponta uma igreja. A melhor forma para explorar Ouro Preto é a pé, para contemplar calmamente o mais importante patrimônio pultural e histórico do País, tombado pela Unesco em 1.960.

Minas Gerais em Semana Santa

Não há época mais especial para viajar pelas cidades históricas de Minas Gerais do que abril, mês de’ Semana Santa e de homenagem à Inconfidência. O clima de festa está no ar e se mistura à beleza dos casarões coloniais e às ruas de pedras irregulares que brotaram com a riqueza do ouro garimpado no século 18. Cinco das cidades mais importantes do roteiro – Ouro Preto, Mariana, Congonhas do Campo, Tiradentes e São João dei Rei – ficam próximas umas das outras e é perfeitamente possível conhecer todas em uma semana de férias.

Boas caminhadas em Tiradentes

BOAS CAMINHADAS.
Há possibilidades de trekkings muito legais ao redor de Tiradentes. O mais popular e muito fácil de ser completado é o caminho para a Mãe d’Agua, a nascente que abastece o chafariz da cidade. Também são bem interessantes as três horas de caminhada até a Calçada dos Escravos, antiga estrada que, no período colonial, transportava as riquezas de Minas Gerais rumo a Paraty, e de lá à Europa. Achar a trilha pode não ser muito fácil. Siga pela Rua Nicolau Panzera e continue quando o nome mudar para Rua Padroeiro. Após passar pela casa de n° 878, cruze um portão e você verá uma placa, próxima a uma bifurcação, indicando o início da trilha. Algumas horas mais tarde, sua recompensa será uma esplendorosa vista da cidade em meio à Serra de São José.