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PARA CHEGAR LA CHINA

Como chegar:
A United Airlines e a Lufthansa voam de Guarulhos (São Paulo) para Kunming (China), a partir de USS 2.500, numa viagem de quase dois dias.
Passeando:
ônibus e aviões ligam as cidades de Yunnan, mas pode ser difícil decifrar os horários Para roteiros com guias, veja os 7 Passos.
Visto:
O formulado para o pedido de visto pode ser obtido no site www.fmprc.gov.cn. É preciso ter o passaporte válido, copia da passagem aérea, foto 3×4, e pagar uma taxa de RS 210.

viagens turismo na china o fim se aproxima

Deve haver poucas estradas no mundo mais impressionantes do que o caminho de Zhongdian para Deqin. Os trechos iniciais, ao longo do vale de Yang-Tsé são secos, quentes e rochosos. Quando a estrada sobe, as montanhas aos poucos tornam-se verdes. Há pequenos templos budistas à beira do estreito caminho pela encosta da montanha, assim como resquícios de acidentes de carros. Mais de uma vez, vemos monges rezando junto ao local de alguma tragédia recente.
Na Garganta da Meia-lua, uma montanha parece formar um quadrante perfeito. Logo, a estrada sobe tanto, numa curva acentuada, que penetramos em nuvens. A paisagem desaparece por trás do véu frio e úmido, que traz um cheiro de eucalipto. Em meio à névoa misteriosa, silhuetas de pinheiros enormes surgem e somem como fantasmas da montanha.
Emergimos entre montanhas negras coalhadas de neve branca. Foi ali que a dupla mais famosa de botânicos europeus fez sua fértil colheita. Florestas de rododendros surgem pelos vales. Campos inteiros estão roxos de azaleias. Prímulas cor-de-rosa e amarelas pontuam os prados.
No fim de nossa viagem, o Mosteiro Dongzhulin é o mais encantador de todos os lugares. A altura da descrição do mosteiro de Shangri-la feita por Hilton -uma “visão estranha e meio inacreditável” – Dongzhulin se ergue entre uma paisagem de montanhas deslumbrante e uma queda perpendicular pelo vale distante. Aqui, em completa tranqüilidade, a apenas alguns quilômetros da divisa tibetana, ouvimos uma algazarra vinda do pátio e avistamos uma cena extraordinária de monges gritando e batendo palmas.
Assim como o personagem Hugh Conway em Horizonte Perdido, não quero de forma alguma fugir de Shangri-lá. No caminho de volta a Zhongdian, estou pensando nos mundos extraordinários que vimos ao longo de nossa viagem quando, de repente, num barranco íngreme, vejo um brilho de um azul improvável. “Pare!”, grito. Saltamos do carro e descemos a encosta rochosa. Há seis ou sete em plena floração. Meconopsis betonicifolia, a papoula azul.
O céu escurece e se torna azul cobalto, combinando com o tom vivo das flores frágeis. Há uma tempestade se aproximando. Mas há tempo suficiente para admirar essas belezas. Em meio a todas as visões bizarras o falsas na estrada para Shangri-lá, é difícil acreditar por um momento que as papoulas azuis não são mais uma criação artificial. Mas, observando suas pétalas iridescentes balançando delicadamente ao vento, sabemos que finalmente encontramos algo inquestionavelmente real.

Viagem ao tibete

Da esquerda para a direita: em Dali, o templo Três Pagodes; Zhongdia, perto da roda de orações. E a papoula azul.
“Em meio a todas as visões bizarras, é difícil acreditar por um momento que as papoulas azuis não são mais uma criação artificial”
Cientes de que estamos nos aproximando do objetivo de nossa busca, iniciamos a jornada para o Mosteiro Ringha, o lugar tradicional para abençoar sua viagem ao Tibete. Enquanto passamos por rodas de orações e barbantes com bandeiras de rezas coloridas, o mundo à nossa volta começa a parecer Shangri-lá. Dentro do templo com chão de palha, iluminado apenas por poças de manteiga de iaque que exalam um odor quente de animal, Gyatso acende um incenso diante de cinco Budas. O percurso de carro adiante é perigoso.

Guias de viagem a china

Dali recebe críticas negativas em alguns guias de viagem por ter sido reconstruída. Na rua principal da cidade antiga, você pode ver o motivo: tudo é limpo e bonito. O lado positivo, é claro, é que tudo ó limpo e bonito. O antigo botânico inglês escreveu que as hospedarias no oeste da China eram “o que havia de pior em sujeira e desconforto”. Descreveu furtos no meio da noite, colchões de palha fedorentos e infestações de “insetos atléticos e vorazes”. Hoje em dia, você pode jantar e dormir com elegância impecável, e isso poderia levar um visitante contrário às mudanças a desejar ser comido vivo por carrapatos e acordado por bandidos com uma adaga na garganta.

Yunnan china

Ao chegar a Yunnan hoje, é difícil acreditar que menos de um século se passou desde a época dos grandes exploradores. Ao longo dr décadas, a (Ihina viveu a Revolução Cultural, religiões foram perseguidas, templos destruídos e culturas tradicionais suprimidas. Yunnan, uma região de célebre diversidade, foi duramente atingida. Agora, as religiões locais – incluindo o budismo, o confucionismo e o islamismo – são praticadas abertamente. O governo chinês financiou a restauração de lugares sagrados e a criação de centros culturais para grupos minoritários. Em Dali, antiga capital do povo bai, onde começa minha busca por Shangri-lá, uma cidade da dinastia Ming foi inteiramente reconstruída.

Shangri-lá um mágico refúgio chinês-tibetano

O Shangri-lá de Milton era um mágico refúgio chinês-tibetano no Himalaia. Seus lamas (mestres espirituais budistas tibetanos) viviam centenas de anos sem envelhecer. Na história, o cônsul britânico Hugh Conway e mais três pessoas são seqüestradas e levados para se tornarem lamas. Conway se apaixona pelo lugar, mas os outros resistem e acabam tramando para fugir. O conceito de Shangri-lá era tão sedutor, que o nome passou a ser usado para se referira tudo o que é paradisíaco. Mas o Shangri-lá de Horizonte Perdido nunca existiu. Hilton o imaginou em casa, num bairro londrino. Baseou-se em descrições feitas por botânicos exploradoras —como o austríaco (oseph Rock o o inglês Frank Kingdon-Ward-do que é hoje a província de Yunnan, uma região remota e fantástica do sudoeste da China, junto às florestas de Mianmar e aos picos nevados do Tibete. Ambos os botânicos foram conhecidos caçadores de plantas, europeus excêntricos que percorreram essas florestas e picos em busca de novas espécies. Entre seus achados havia muitas plantas que desde então se tornaram comuns no Ocidente: rododendros, azaleias e prímulas. Mas havia também íris raras, orquídeas desconhecidas e o maior prêmio: Moconopsis betonicifolia, a papoula azul. Quando Kingdon-Ward exibiu a primeira dessas flores na exposição de verão da britânica Sociedade Real de Horticultura, ou Royal Horticultural Society, em 1926, causou comoção.

Viagem a shangrila la

“Dezenas de monges estão discutindo filosofia. Parece o pregão da Bolsa. Homens gritam e saltam, espirrando o suor que brota em suas testas”
Um jovem monge numa túnica vermelha estala suas mãos com violência e dá um grito a centímetros de distância do rosto de outro monge. As orações em tábuas de madeira giram velozes no seu braço, quase atingindo o olho do monge sentado. Ele não se esquiva. No calor do pátio aberto, dezenas de religiosos estão discutindo filosofia. Mas a atmosfera está longe da habitual imagem serena do budismo tibetano. Parece o pregão da Bolsa de Valores. Homens gritam e saltam, espirrando o suor (|iie brota de suas testas. O ato de bater palmas com força indica transmissão de sabedoria. O barulho ecoa nas paredes de madeira. Atrás deles há quilômetros de silêncio em todas as direções, listamos num mosteiro pendurado numa encosta, na extremidade de uma queda de quase 3 mil metros, “com a delicadeza casual de pétalas de flor encravadas no precipício”. Qualquer um que conhece Horizonte Perdida, romance de James Hillon de 1933, ou o filme de Frank Capra nele baseado, não deixa de reconhecer, aqui. o lendário mosteiro de Shangri-lá.

Gyalthang

Num platõ cercado de montanhas fica a cidade de Zhongdian, conhecida pelos tibetanos como Gyalthang. Em 2002, foi rebatizada de Shangri-lá. O nome se explica pelas observações geográficas de Horizonte Perdido. Embora tenha uma localização impressionante no Himalaia, Zhongdian não tem nada a ver com o mosteiro nas montanhas descrito por Hilton. A 3.300 metros de altitude, o ar é frio. Zhongdian parece outro país  houve um tempo em que toda essa área pertencia ao Tibete, e os laços culturais e pessoais continuam fortes.
A cidade é dominada por uma roda de orações colossal, considerada a maior do mundo, coberta de imagens douradas de deuses e Budas. São necessárias várias pessoas para girá-la no sentido horário e liberar suas bênçãos.

Garganta do Salto do Tigre

Mesmo em meio à neblina, a Garganta do Salto do Tigre é magnífica. A plataforma foi construída num ponto onde um tigre teria saltado sobre o rio. Um pouco acima, as águas verdes do Yang-Tsé chegam a uma queda e jogam grandes ondas de espuma. No alto, os picos das montanhas desaparecem em meio às nuvens. O branco se move acima e abaixo de nós.
“Podemos ir um pouco além”, diz Gyatso, “mas é perigoso.” Evitamos os seixos caídos sobre o caminho e andamos até uma pedra que se projeta. Sobre nós estão a montanhas de neve Dragão de Jade e Haba. Não há nada entre mim e a queda acentuada. Kingdon-Ward contou histórias sobre ficar preso nas gargantas profundas da região: penhascos verticais acima e torrentes violentas abaixo. “Um passo em falso e seríamos lançados ao abismo”, escreveu ele. Por respeito ao poder do lugar, sinto-me compelido a recuar alguns passos. A garganta parece estar viva.

A fronteira do mundo em china

A fronteira do mundo.
Uma hora de carro beirando o Rio Yang-Tsé nos leva para longe do mundo kitsch e de volta a 500 anos atrás. Num cenário bem mais emocionante, entre vilas naxi de telhados cinza, camponeses colhem morangos e nozes, guardando-os em cestas de vime que carregam nas costas. Quando a estrada chega à Garganta do Salto do Tigre, o tempo fica úmido e enevoado. No topo do caminho que desce para a plataforma do mirante, um grupo de turistas chineses se protege com capas de chuva e sombrinhas ao descer os degraus de madeira escorregadios.