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O cachorro falante

Desde então, à parte a fase da Segunda Grande Guerra, o Moulin Rouge nunca parou de ferver. Pelo seu palco passaram os maiores nomes do espetáculo: Frank Sinatra, Edith Piaff, Mikhail Barish-nikov e Elton John, entre outros. Pela platéia, todos ps nomes que contam, da rainha Elizabeth II aos dirigentes comunistas russos e chineses. Hoje, mais do que nunca, o adjetivo “faraônico” é o que melhor se aplica ao Moulin Rouge. Esse gigantismo começa pelo palco, com 30 metros de abertura por 20 metros de profundidade; passa pelo Féerie, o espetáculo em cartaz, com cerca de 200 artistas e um guarda-roupa de 2000 peças; chega à platéia, com capacidade para mais de 1000 pessoas sentadas em cadeiras ao redor de pequenas mesas. Nem a butique, instalada no saguão do cabaré, escapa à mania das coisas grandes. Está repleta de livros, cartazes e uma infinidade de outros produtos da marca Moulin Rouge. De resto, quem quer desfrutar do programa completo do cabaré deve chegar para o café-concerto, com drinques, às 19 horas, seguido de jantar às 20 horas. Quem está interessado apenas no grande espetáculo e no drinque incluído no preço, tem de estar lá às 21 horas, quando as cortinas se abrem. Há reprise às 23 horas. Lotação quase sempre esgotada, razão pela qual convém reservar.

Monsieur Pujol, sucesso estrepitoso

Novas atrações começam a se juntar ao cancã. Algumas entram para a história. E o caso de Valentin le Desossé (Valentim, o Desossado) e de Monsieur Pujol le Pétomane (Senhor Pujol, o Peidomaníaco As articulações do primeiro eram a tal ponto flexíveis que ele se enrolava ao redor de colunas como uma serpente. Monsieur Pujol, por seu turno, conseguia tocat a Marseillese, o hino nacional da França, e várias outras canções, à base de estrépitos altíssimos que, segundo se diz, não tinham, milagrosamente, nenhum odor.
Yvette Guilbert, outra atração histórica do Moulin Rouge, preferiu abrir novos caminhos. Fia inaugurou.um estilo que se espalhou pelo fek mundo: o café-concerto. Ivette se apresen-tava de preferência ao entardecer. Conversava com a platéia, contava piadas, narrava histórias e cantava, numa atmosfera mais intima e comedida do que a das encapetadas dançarinas que se apresentavam à noite.
O Moulin Rouge evoluiu com o tempo, desenvolvendo a fórmula que ficaria conhecida como teatro de revista. Ventríloquos, animais de circo, acrobatas, malabaristas, cômicos, cantores, não tinha fim o número de atrações. De todas elas, no entanto, a que mais se firmou e correu mundo foi a apresentação de um grande número de mulheres lindas, seminuas, portando só plumas na cabeça e exí-guo tapa-sexo bordado de paetês.
Fazendo apanágio das plumas e paetês, o Moulin Rouge se tornou o pai de todos os cabarés do gênero. Ele é a fonte de inspiração dos espetáculos do antigo (Copacabana Palace no Rio de Janeiro, doTropicana em Cuba, do Caesar Palace em Las Vegas, bem como de seus rivais parisienses: o Lido, o Foi lies Bergère e o Crazy Horse.

Show biz o cancan no cafe-concerto

Imagine-se na época. Ao som de músicas de ritmo acelerado e alegre, raparigas de belas pernas e gênio forte passam a oferecer um espetáculo cuja ousadia, poucos anos antes, poria todo mundo na cadeia. Levantando as saias e as anáguas, elas alçam as pernas a alturas impensáveis, deixando aparecer calções rendados sobre os quais, às vezes na parte da frente, às vezes na de trás, são bordados corações.
A platéia delira e cada um aclama aos gritos a sua dançarina favorita: La Goulue (A Gulosa), La Sauterelle (A Pcrereca), Nini-la-Belle-en-Cuisses (Nini Boa de Coxas), La Follette (A Doidinha), La Pigeonnette (A Pombinha), LaTorpille (ATorpedo), Jane Avril, e dezenas de outras cujos apelidos artísticos deixam claro o quanto suas donas são desinibidas. Não apenas em matéria de cancã, mas também na audácia inteligente com que falam à platéia. Do palco, certa noite, La Goulue se dirige ao príncipe de Gales, herdeiro do trono inglês, e lhe pergunta se está disposto a beber champanhe com ela. O príncipe diz que sim, e ela retruca com outra pergut cheia de inequívoca malícia: “E em que taça Sua Alteza prefere beber?”.
Misturados ao povão, figuras da alta sociedade e artistas começaram a freqüentar a casa. Entre esses últimos, um pintor baixinho, quase um anão muito feio de aspecto, porém de alma e talento esplêndidos, faz do Moulin Rouge sua segunda residência: HenrideToulouse-Lautrec. Elevem todas as noites e se torna logo reconhecido pelo físico atrofiado e pelas folhas de papel sobre as quais desenha quase sem parar, ao mesmo tempo que observa o espetáculo. Graças a ele, desenhos extraordinários retratando as dançarinas e a vida no cabaré chegariam à posteridade.

Moulin Rouge e sua longa história

Tudo começou em 1871, com o término da terrível guerra franco-prussiana. Teve então início uma era próspera e feliz na França. A recuperação econômica foi rápida e, por volta de 1890, a situação chegava ao apogeu: o automóvel, o avião, o cinema, o gramofone, o telefone e uma miría-de de outros inventos contribuíam para a alegria de viver. Em Paris, nasce a Belle Epoque. A capital se torna uma cidade lumino sa, cm que um novo estilo, o Art Nouveau, de-cora prédios e objetos. Surgem os pintores impressionistas, constroem-se a Torre Eiffel e as primeiras estações do metrô de Paris, os irmãos Lumière apresentam a cinematografia, Pastcur descobre várias vacinas. A França exporta produtos e cultura, o dinheiro corre à solta, o nível de saúde e bem-estar da população aumenta consideravelmente. Ficam para trás os tempos românticos em que os intelectuais achavam lindo morrer de tuberculose. A ordem agora é vivrelavie, viver a vida, um bordão que muitos interpretaram como botar pra quebrar.
Foi isso aí: o Moulin Rouge (em português, Moinho Vermelho), desde o primeiro dia, em 1889, botou pra quebrar. A começar pelo local escolhido: a zona de Pigalle, em Montmartre. No final do século 19, Montmartre era um bairro conhecido pelas ladeiras, tavernas, malandros e moças de vida fácil; pelos salões de baile e cabarés. O bairro boêmio por excelência, onde, como se dizia, até o cidadão mais respeitável sencanaille, vira um canalha.

O que mudou nos céus da Swissair

De vez em quando, um tablete de chocolate suíço muda de embalagem. As cores são mantidas, as características principais ficam intatas. Mas o chocolate continua o mesmo que estava na nossa memória. Pois foi o que aconteceu com a Swiss, sucessora da Swissair. Você entra em seus aviões e sente pequenas diferenças: o figurino do uniforme, a revista de bordo e o cardápio mudaram de marca. Mas as cores são as mesmas, a cruz helvética sempre aparece e o serviço tem a mesma generosidade de que você se lembrava.

Museu do Sexo em Amsterdã

Amsterdã tem o seu. Assim como Berlim, Madri, Paris, Barcelona… Faltava mesmo Nova York entrar no circuito e ter o seu próprio Museu do Sexo. Os profissionais do sexo, fetichistas e libertários que apimentaram a fama desta cidade em seus quase 500 anos de história são os homenageados do Museum of Sex, cuja inauguração acontece neste outono.

Berlim despolitizada

A frase “A Alemanha (ainda bem) perdeu a Segunda Guerra”, citada na reportagem sobre Berlim, me deixou bastante decepcionada. Eu não estou interessada na opinião em relação à Segunda Guerra, às eleições ou ao comunismo, e sim se a cidade em questão é bonita, se tem bons hotéis etc. A preferência de 50% dos leitores pelas cidades de Gramado e Canela para passar o inverno, segundo enquete publicada na edição de agosto, nos encheu de orgulho e satisfação.

Alguns belos dias em Sighisoara

Dois dias em Sighisoara e dei uma guinada para o norte, rumando para Sighetu Marmatiei. Um belíssimo cemitério todo entalhado em madeira encanta os poucos turistas que aparecem por aquelas bandas. Os entalhes trazem referências bem humoradas sobre a vida do falecido, amenizando sua morte. Nesse roteiro na Transilvânia, encontrei incontáveis velhinhas com roupas de lã e lenços coloridos na cabeça, pedalando antigas bicicletas, puxando vaquinhas, vendendo uvas, cebolas, batatas e nozes à beira do asfalto. Uma velhice forjada num passado duro, propiciada por regimes ditatoriais comunistas que democratizaram a pobreza e instauraram o atraso.

Rasov antiga cidadela

Desviei um pouco do caminho pra visitar Citatea Rasov, antiga cidadela fortificada no alto de um morro. E de Brasov fui para Sighisoara, uma das cidades mais medievais e “vampirescas”, terra natal de Vlad Tepes, embora muitos digam que é Brasov, pois rodo mundo quer faturar com o Conde Drácula. Brasov, na realidade, tem a fama de ter sido a sede das maiores atrocidades cometidas por Vlad Tepes contra os prisoneiros turcos otomomanos.

Bran Brasov segunda cidade da Romênia

Assim, hoje não há qualquer referência ao Conde Drácula, somente um tedioso museu em homenagem a Maria de Edimburgo. Mas não liguei para essa falta dc ambientação, pois para mim mais importante do que isso era saber que dramas tão terríveis como verdadeiros ali se desenrolaram séculos atrás. De Bran segui para Brasov, segunda maior cidade da Romênia e capital da Transilvânia, com construções medievais, muralhas e fortificações do século 15 uma delas transformada em Museu de Armas.