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Casablanca, tem certeza

Casablanca, tem certeza

Dos mil sonhos de viagem que o cinema fez brotar, o favorito deve ser o de muitos espectadores do clássico romântico Casablanca (1942): visitar a mágica cidade e curtir uma noitada no Rick’s Café Américain. Pena que isso só exista na tela, porque tudo era cenário montado nos estúdios da Warner… Apenas os visitantes de outra cidade marroquina, Tânger, é que terão o gostinho de encontrar um lugar como o Rick’s: foi de lá. do Hotel El Minzah, que os cenógrafos de Hollywood tiraram o modelo para o concorrido restaurante fino e cassino clandestino de Humphrey Bogart. Casablanca, de verdade, aparece em pouquíssimas fitas. E o único fácil de se achar é o drama zen de Martin Scorsese, Kundun (1997). Com alguns detalhes: a história se passa no Tibete e. impedido de filmar lá, Scorsese costurou seu próprio Tibete com outros pedaços do mundo. De Casablanca, há alguns trechos de rua, infelizmente irreconhecíveis. Resultado: continue sonhando com a paixão de Bogart e Ingrid Bergman e. quando for ao Marrocos, descubra sozinho os encantos de Casablanca.

Tudo sobre marrocos

O vilarejo mais legal é o Sijilmassa, hoje abandonado e que viveu tempos de glória há mil anos, quando caravanas com 20 mil dromedários iam lá buscar sal. Se você estiver com um carro 4×4. hospede-se num dos vários hotéis da região de Mer-zouga. Pode-se aí contratar um passeio sensacional: ir no lombo de dromedários ao meio do deserto, onde se acampa em tendas armadas na duna. O pernoite custa cerca de 50 dólares e inclui jantar e café-da-manhã, além do céu mais estrelado que você já terá visto na vida.
De volta a Erfoud, a rota a seguir é Tinerhir, 165 quilômetros a oeste, primeiro pela estrada R 702 e, depois, pela N 10. O caminho cruza desfiladei-ros com paisagens de cor ocre e castelos e cidades fortificadas. A secura é quebrada pelos oásis dos rios Rheris e Dades. Alguns são imensos, como o de Skoura, com 300 mil palmeiras e um castelo de cartão-postal, o de Amerhidil, que ilustra as cédulas marroquinas de 50 dirhans e vale a visita.
Ao longo dessas tantas estradas, os restaurantes vendem carne de carneiro, sempre com cuscuz, tradicional prato berbere, feito de semolina e legumes cozidos demoradamente. Mesmo em paradas mais modestas, a refeição vem à mesa num belo serviço de louça. Siga a etiqueta: primeiro comem os homens, depois as mulheres. Com as mãos. Os marroquinos gostam de dizer que os dedos são “garfos de Deus”. Em datas festivas, como oAid-el-Kebir (o dia em que Abraão não sacrificou seu filho Isaac – Ismael para os muçulmanos), muitas famílias vão aos bancos financiar a compra de um carneiro para levá-lo à mesa.
O carneiro também vai aos teares. De seu pêlo são feitos os fios para tapetes e almofadas. Os mais finos chegam a ter 350 mil nós por metro quadrado e podem custar até 120 euros (antes dos chás de menta). Melhor é comprá-los dos produtores. As cores e os desenhos de cada peça revelam origem e tradições das tribos que os confeccionam.