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Paraty cidade histórica

Ao largo dessa discussão e mais preocupado com questões como saneamento e assoreamento, a seu ver prioritárias em uma cidade de novo próspera, Amyr segue cuidando da Marina do Engenho onde, vez por outra, recebe amigos que fez em suas jornadas mar adentro – e que tem a particularidade de abrigar a casa onde, um dia, viveu Julia, a paratiense que viria a ser a mãe do escritor alemão Thomas Mann. Já não é tão fácil encontrá-lo pelas ruas da cidade, exceto quando, como agora, ele pilota, timidamente, os leitores de uma revista pelos estreitos e enseadas de sua memória. Será mais provável, sem dúvida, achá-lo em algum ponto do mar, seja nas águas plácidas de Jurumirim ou nas turbulentas da Passagem de Drake. O certo é que em qualquer dessas latitudes, nosso comandante estará em casa. Como confirma o nome da vila pintado no casco de sua embarcação.

A breve história de sao paulo paraty

A breve história desse estabelecimento, de propriedade do poeta paratiense Zé Kleber, merece ser brevemente relatada porque, de certa forma, marca o fim do que Paraty poderia ter sido e o início de tudo o que veio a ser. Antes do Valhacouto, de sua gloriosa indecência e de sua lisérgica utopia, a vila que nasceu em 1667, no final da trilha dos índios guaianás, viveu a imensa prosperidade de funcionar como o porto do ouro extraído das Minas Gerais. É do tempo em que barcas, sumacas e batelões do Rio de Janeiro aportavam na localidade para transportar a riqueza rumo a Portugal, que data a maior parte de seu casario. Que, hoje sabe-se, foi planejadamente erguido seguindo normas maçonicas, 33 quarteirões seguindo a escala mística 1:33:33 — o grau máximo da maçonaria.
Mais tarde, para evitar o ataque de corsários, a Corte mandou criar o Caminho Novo da Piedade, que fazia o ouro transitar diretamente para o Rio, sem passar pela vila, que sofreu sua primeira decadência. Não definitiva, porém, uma vez que o caminho voltou a ser utilizado no ciclo do café, até 1870, quando a criação da estrada de ferro Rio-São Paulo enterrou de vez a prosperidade de Paraty.
É nessa época que se iniciam os cem anos de solidão da Macondo fluminense. Quem sabe com o testamento de um certo padre Veludo, homem de posses, que deixou imóveis para sete filhos, todos eles produzidos – segundo o documento -, “em um momento de fragilidade humana”.