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As distâncias são curtas por aqui

As distâncias são curtas por aqui

Entre uma cidade e outra percorrem-se no máximo 20 quilômetros e, entre uma cantina e outra, não mais do que 2. Um apressadinho diria que dá para conhecer tudo em dois dias, deslizando rapidamente pela duplicada RS-453. Nem pense nisso. O gostoso é fuçar nas estradas vicinais e descobrir casarões de pedra iguais aos da região do Vêneto, na Itália. Nos barracões, paióis e tulhas, feitas com longas tábuas de araucária, é possível encontrar velhos utensílios de ferro fundido, fabricados no início do século 20.

A pousada e vinícola Don Giovanni foi um desses deliciosos achados. Ela fica no caminho entre Bento Gonçalves e Pinto Bandeira, à beira de uma vicinal. É um sobradão de pedra, de dois andares, instalado no meio do vinhedo. Galpões cobertos de hera abrigam as caves onde se produz um bom vinho tinto. Ao cruzar o portão, a impressão é de que se atravessou o Atlântico para chegar a uma villa da Toscana. A acolhida da família Giovaninni resume o espírito desse lado da serra. O dono, Ayrton Giovaninni, por exemplo, um empresário com vários negócios na área, faz questão de reservar boa parte de seu tempo para pilotar as sessões de degustação, Sua esposa, Beatriz, ex-marchand em Porto Alegre (os quadros e gravuras espalhados pelos corredores são herança desse tempo), prepara nos finais de semana um delicioso risoto de vinho para os hóspedes. E, se você ainda duvida que o cenário parece a Toscana de Mi-chelangelo e Da Vinci, caminhe até a bottega do escultor Bez Batti, que trabalha pedras como o basalto e a obsi-diana. O artista passa o dia ali trabalhando. No verão, dorme numa tina adaptada sobre uma árvore.