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Um cruzeiro no fim do mundo

Claro que as pedras de gelo vinham dos glaciares e deixavam 0 uísque ainda mais especial. E elas abasteciam o bar durante toda a viagem. Eduardo Gonçalves, brasileiro filho de chileno, de 46 anos, que fez 92 dos 112 cruzeiros, diz que serve uma média de 150 drinques por dia, sem contar os não alcoólicos. Já o chileno Emilio Velásquez, 39 anos, foi o introdutor do calafate sour no navio. O drinque é na verdade um pisco sour, a caipirinha chilena, acrescido de uma porção de xarope de calafale, a planta emblemática da região. O certo é que o amplo salão no último deque, onde também ficava o bar, concentrava a vida do cruzeiro. Ponto de encontro para conversas animadas e saídas para os passeios, palco das palestras e brincadeiras, virava também sala de leitura e posto de observação daquela paisagem intrigante e esplêndida na sua monotonia.
Sem internet, celular, TV e rádio – algo impensável nos dias de hoje, mas que não fizeram nenhuma falta -, tempo total para se dedicará natureza e à introspecção. O fim do mundo estava em nós.

Bom humor a bordo do cruzeiro

Bom humor a bordo do cruzeiro.
Se os europeus representam 70% da ocupação do cruzeiro, isso se deve à presença espanhola. O advogado Jose Aliste, 56 anos, por exemplo, veio de Madri com a mulher, Maité. Advogado criminalista, Aliste já visitou mais de cem países, 47 deles exclusivamente para caçar, sua grande paixão, acima da profissão e das viagens. “Gosto de caça grande, como rinocerontes, elefantes, ursos. Estou sempre no Alasca e na África”, explica. E garante que não sente receio algum diante de tantos animais ferozes “Mais perigosos são meus clientes colombianos e russos”, diverte-se. Já para o casal Meyer, da França, nada como os grandes espaços, a presença intensa da natureza. Claude, 82 anos, e Yvette, 78, passaram 25 dias na América do Sul, visitando Machu Picchu, o Lago Titicaca e o Deserto de Atacama, antes de chegar á Patagônia. Juntos há 54 anos, os dois médicos moram em Antibes, na Cote d’Azur. O cruzeiro deixou-os encantados: “O barco é pequeno, perfeito para um bom convívio. As excursões foram muito bem organizadas,” elogia Yvette. Já Claude gostou de outro aspecto da viagem: “Nunca tinha estado em um cruzeiro com open bar”, diverte-se, com um copo de pisco sour na mão. Brasileiros são raros, mas aparecem. Neste, as representantes eram mulheres. A cardiologista Maria das Graças Cavalcanti Bandeira, 57 anos, de Natal, e a amiga Mércia Bezerra, 70 anos, esteticista, de Fortaleza, escolheram a viagem para a Patagônia como prêmio de consolação. “Na verdade, tínhamos planejado ir à Austrália e à Nova Zelândia, mas a demora para obtenção do visto nos fez desistir”, conta. O plano “B” dividiu as amigas: enquanto Maria das Graças queria ir para o Deserto de Atacama, Mércia sonhava com o fim do mundo. “Para não ter briga – viajam juntas há 18 anos -, ficamos com os dois. vamos do freezer para o grill’, brinca.